Outros tempos
Lembro que fiquei muito bravo quando o Andre Forastieri malhou o pau no álbum Clandestino, do Ira!, numa crítica da Revista Bizz (1990). Nem imaginava que ele só estava querendo soar como um Pedro de Lara, apenas fazendo contrapontos...
Tempos mais tarde, depois de sumir e voltar, a revista subiu no telhado de vez. Na era do Google e compartilhamentos de mp3, não há mais espaço pra nada que não seja virtual... ainda mais quando não se tem foco, nicho, o que parece ser o caso da publicação.
Transcrevo aqui as observações do blog Coluna Extra sobre o fim da Bizz.
Perguntas sem respostas. Ou quase.
No dia 26 de maio, enviei para a assessoria de imprensa da revista Bizz, muito prestativa por sinal, três perguntas para o editor Ricardo Alexandre, que, como você pode conferir abaixo, tratavam basicamente do perfil da publicação e do certo contraste entre o conteúdo e os anúncios.
1) O que motivou a mudança no perfil da revista, que voltou ao mercado focada e com o lema "música é tudo", mas que agora está abrindo mais espaço para outros assuntos, como cinema, por exemplo? O que a Bizz pretende com essa mudança?
2) Na sua avaliação, uma mudança como essa, de perfil editorial (mesmo que no passado a Bizz tenha destacado o assunto cinema), não remete àquela velha questão de que revista especializada em música não vinga no Brasil e que por isso tem abrir o leque para outros assuntos?
3) Conversando com colegas leitores, observamos um certo descompasso entre o conteúdo da revista e alguns anúncios. Ou seja, há anúncios voltados para um público mais jovem, quase adolescente, mas há um conteúdo para pessoas mais velhas (casa dos 30 e poucos, como é o meu caso e que são leitores de longa data da revista). O que você pensa a respeito dessa percepção?
No dia 28 de maio, a assessoria me escreve para dizer que o Ricardo estava de férias e retornaria somente no dia 4 de junho. "Ok, eu espero", respondi. Mas enquanto esperava, li notas sobre a saída de Ricardo Alexandre (fiquei sem as respostas) e sobre o fim da revista (uma resposta para as três perguntas?), que iria circular pela última vez no mês de julho com o último show dos Los Hermanos na capa.Segundo reportagem de Thaís Naldoni no Portal da Imprensa, a Editora Abril disse em nota que pretende manter o site no ar e fazer de Bizz uma publicação esporádica com matérias especiais. Thaís escreve ainda que "fontes internas informaram ao Portal Imprensa que o fechamento da revista vem sendo estudado há dois meses, em razão de seu baixo faturamento em publicidade e vendagem em bancas". E não duvido que o sucesso comercial da concorrente recém-chegada Rolling Stone tenha contribuído para a decisão (é sempre impressionante a seqüência de anúncios de página dupla que costuma abrir as edições da RS).
E essa história da Abril manter Bizz como um título esporádico não faz o menor sentido, especialmente porque não terá o caráter de teste de mercado, medir a receptividade para um produto com periodicidade. Eu, sinceramente, não vejo mais mercado para o título. O nome "Bizz" já cumpriu sua missão e deveria ser preservado. Está na história como uma boa lembrança. E se não vai para as bancas a cada mês, é lá, na lembrança, que deve ficar.






